Um olhar antroposófico e não apenas tecnicista da recepção a um recém-nascido.

Atualizado: 24 de Ago de 2018

Dr. José Agop | Pediatria e Médico Antroposófico


Convido você a fazer um exercício. Se imaginar no lugar de um bebezinho dentro do útero. Ele vive num lugar quentinho, onde a alimentação é constante, os sons chegam de forma abafada, o olfato e o paladar conseguem perceber apenas o líquido amniótico. O bebê vive dentro de uma cápsula de proteção.


Então esse bebê nasce. Vive todo o processo de parto, que por si só é pra lá de desafiador para aquele pequeno ser. O ideal é que o bebê nasça e vá direto para o colo da mãe. Isso sempre que possível. Podemos dar uma compressa pra manter o calor e seguoir acompanhando a temperatura. Se a pele está rosada, não há necessidade de ouvir o coração nessa hora. Se tudo corre bem, é o momento da mãe e do bebê, claro, do pai também. A função do pediatra é acompanhar, assim como o obstetra acompanha um parto. O pediatra intervém se preciso for.


PRECISAMOS “PLANTAR” CALMA E CORAGEM NAS CRIANÇAS

Hoje em dia, boa parte dos problemas psíquicos e doenças físicas são decorrentes do medo e da pressa. Não adianta ter calma sem coragem porque você fica estagnado. Não adianta ter coragem sem calma, porque isso gera atitudes não pensadas.


Quando o bebê é recebido calorosamente, sem agressão, a chance dele desenvolver essa coragem e essa calma para o resto da vida é muito maior. Fica difícil fazer esse “plantio” a quem é agredido assim que chegar a mundo? Aspiração sem necessidade (introdução de uma sonda no nariz para desobstruir as vias), vacinas assim que nasce, colírio no olho como protocolo (sem observar a real necessidade). A primeira impressão positiva ou negativa fica.


Não significa que um bebê que tenha passado por todos esses procedimentos terá medo para o resto de sua vida. Às vezes, esses procedimentos se fazem mesmo necessários. Mas temos que ter sempre que ter em mente a importância de fazer as melhores escolhas.

É sempre bom lembrar sempre, apesar dos erros pedagógicos que nós, pais, cometemos com os nossos filhos, a vida promove encontros com pessoas e circunstâncias que curam.


LIVRE DEMANDA

Assim que nasce, o bebê precisa de aleitamento materno em LIVRE DEMANDA. Nesses primeiros dias, o bebê tem força pra mamar alguns golinhos com muita frequência. O colostro (que é o primeiro leite materno) tem alto teor calórico, alto teor proteico e baixo teor de gordura, isso significa que é um alimento que dá vontade de comer toda hora. Justamente quando o estômago do bebê ainda não está acostumado a grandes quantidades, não tem elasticidade, ele recebe um alimento com alto teor de glicose. Isso sem contar que o bebê precisa recuperar o gasto de energia, que teve durante o trabalho de parto. O colostro no organismo do bebê não deixa a taxa de glicemia cair e garante a imunidade no recém-nascido.


PREVISIBILIDADE

Criar um ritmo vai trazer a vocês dois mais tranquilidade e entendimento. Isso significa, por exemplo, criar um ritual para o banho. Você escolhe dar o banho no bebê perto das 18h. Isso dá a ele a previsibilidade, uma referência de tempo. Lembre-se ritmo é diferente de rotina. Ritmo tem molejo, dá segurança. No começo, dê banho sem sabonete ou shampoo. Apenas água morna. Sob meia luz, uma troca de roupa mais lenta. Assim o bebê percebe pelo tom da voz que é um outro momento, tá chegando a hora de dormir. Uma imersão todas as noite é importante para registrar o ritmo. Depois do banho a mamada que eu considero a mais importante. A mamada que precede o sono da noite.

DANÇA DA LUZ

É importante começar a mostrar ao bebê que existe dia e noite. Durante o dia, é bom deixar uma luz amena dentro do quarto e à noite escuridão total. Escolha um horário para o despertar entre 6h e 8h da manhã. Um horário com uma variação de 30 minutos. Nessa hora você abre a janela, deseja bom dia para seu filho e deixar a luz entrar. Os sonos durante o dia devem ser nessa luz. Durante o dia, os sonos devem ser leves, isso ajuda o bebê a mamar com mais vigor. À noite, o sono deve ser pesado, por isso, todas as luzes apagadas. O que ajuda a aumentar a produção de leite da mãe é um sono recuperador. Claro, água ajuda, mas a sede já é desesperadora, o que é importante mesmo para ter leite é tranquilidade e sono bom.


SONO

É importante entendermos os efeitos do sono no nosso corpo, principalmente entre às 20h e às 6h manhã. A Antroposofia (ciência espiritual criada por Rudolf Steiner) nos traz uma explicação interessante. Nesse horário, o corpo astral (espírito) viaja durante o sono e o corpo etérico (ou vital) nos invade trazendo a cura, nos calibrando e nos vitalizando. Das 6h da manhã em diante há pouca chance de isso acontecer. Isso vale para o bebê e para a mãe também. Daí a importância de uma boa noite de sono, ela nos traz saúde definitivamente. Por isso mesmo, sugiro que não deixe que o bebê durma pesado entre às 17h e às 19h. É praticamente certo que, se isso acontecer, o sono da noite será afetado.


BEBÊ CHARUTINHO

No útero, todo movimento que a criança fazia havia uma contra força. Ela esticava a perna e o útero a trazia a perninha de volta. Esse tato criava uma espécie de contorno para o bebê, quando ele nasceu tudo mudou. Agora nada breca o movimento. Tendo isso em mente, é bacana enrolar o bebê e deixá-lo bem firme de novo num charutinho. Cueiros, não muito apertados são ótimos aliados. Quando os bebês começam a tentar se soltar, fazem uma pressão no abdômen e acabam soltando gazes. Durante os primeiros 40 dias, é importante fazer essa contenção, para que o bebê continue tento a referência espacial que tinha no útero. Quer acalmar seu bebê? Use cueiros.


QUARENTENA

É muito importante vivê-la, mesmo que seja muito difícil ficar em casa, o bebê agradece esse tempo de calmaria. O que significa essa quarentena? Significa 40 dias em casa, sem bater perna. Saindo só quando for essencial, como visitas ao médico, por exemplo. Explico! Os 15 primeiros dias o bebê deve ficar no mesmo quarto. É hora de formar ninho, o bebê acabou de sair do útero. Nesses dias, o bebê deve estar sempre em contato com a mãe. Com 30 dias, você pode programar a primeira saída. Com 40 dias, mãe e bebê devem começar a visitar parques e bosques. Agora festas, visita a outras pessoas, agitação, só depois dos três meses de idade.


VISITAS

Na hora de receber visitas, é importante ter em mente que o bebê tinha os sentidos abafados no útero. Quando alguma visita chega, com perfume ou falando alto, causa uma agressão à criança. Nesse início, quanto menos estímulos sensoriais melhor: pouco som alto, pouca luz forte, nenhum cheiro. Nesse início, o ideal é reduzir ao máximo o número de visitas.


PERCEPÇÃO DA PRESENÇA

O bebê que está sempre no colo, sempre no sling poderá se sentir abandonado quando estiver sozinho. É importante para o bebê que os pais e cuidadores alternem ritmicamente períodos de acolhimento muito grande com períodos de solidão. É fundamental que o bebê aprenda a ficar sozinho, a brincar sozinho. Quando digo para deixá-lo sozinho, não quero dizer deixá-lo sem a presença da mãe, por exemplo. A mãe e o pai estarão por perto, só não devem estar com o bebê colado ao corpo o tempo todo. E na hora do ficar coladinho, caprichar no sling, no colo. A amamentação é sem dúvida um dos momentos mais ricos de acolhimento que um bebê pode experienciar.


Um lembrete: essas são recomendações. É claro, se você entender que seu bebê precisa de algo diferente do que eu sugeri, faça! A intuição de uma mãe (de um pai também) é muito poderosa.

132 visualizações

Rua Professora Celina Sampaio, 44  |  Vila São Francisco  |  São Paulo - SP  |  (11) 3718-0209

espacoitawegman.com.br

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon
Para saber mais sobre Antroposofia acesse o site
da Sociedade Antroposófica
do Brasil em www.sab.org.br.

2018 © Lancelot Comunicação