Como ajudar uma criança quando o luto chega perto demais


Alessandra Ferreira | Psicóloga Infantil




Temos acompanhado várias tragédias desde que o ano começou: rompimento da barragem em Brumadinho (MG), incêndio no Centro de Treinamento no Rio de Janeiro, alagamentos no Rio, queda do helicóptero onde estavam o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattruci. O luto mesmo à distância parece tão perto. E quando ele se apresenta realmente perto? O que fazer quando temos que falar desse assunto tão delicado com as crianças?


Refleti em como podemos ajudar nossas crianças a passar por este momento de perda de um pessoa muito amada. Temos que apresentar esse assunto para os nossos filhos de forma amorosa, mas permitir que eles entendam que isso é uma realidade. A primeira questão que devemos pensar é como nós, adultos, recebemos o LUTO. Na nossa cultura, é muito difícil de lidar com a morte e muitas vezes nem queremos tocar no assunto. Em outros lugares, outras culturas, as pessoas lidam com mais naturalidade.


Ao olharmos em nossa volta e observarmos a natureza, conseguimos enxergar esse processo do nascer, viver e morrer de várias vezes. Claro que quando a morte é trágica, o impacto é muito maior e isso tem que ser respeitado. Mas numa a floresta, por exemplo, isso acontece de forma cíclica e sem pausa. Nas árvores, as folhas nascem, crescem, secam e caem (morrem).


Quando a morte chega realmente perto, o ideal é sempre falar a verdade para a criança com muito amor e carinho. Dizer que a avó ou o avô (que faleceram) viajou, por exemplo, pode causar sentimentos e pensamentos confusos. Pode até gerar um sentimento de abandono na criança. Ela pode pensar que a pessoa a deixou intencionalmente. Mas também é preciso atentar ao fato de falar a verdade. Que verdade é essa e de que forma trazê-la à tona. Mortes trágicas e que envolvam muito sofrimento não precisam ser esmiuçadas para as crianças. É sempre bom responder às perguntas que a criança fizer. E não aumentar o assunto. A medida da conversa é dada pela própria criança, quando ela achar que a resposta está suficientemente boa, ela pára de perguntar.


A religiosidade nesse momento é muito importante e ajudará a criança a compreender melhor a situação. Cada família tem um repertório próprio nesse caso. Quando a criança vive uma situação de luto, alguns comportamentos podem aparecer pois fazem parte do processo como a agressividade, a tristeza, ela pode ter pesadelos durante o sono. Nessas horas, o que temos que fazer é acolhê-la, dar colo, falar com ela e estar disponível a responder para todas as perguntas que virão. Isso ajuda nesse processo tão doloroso.


O ritual de despedida também é muito importante. Aqui vale lembrar que o velórios são um ritual para adultos e não para as crianças. Não devemos forçá-las a participar. Porém se quiser ir, não há objeções. O que podemos fazer para ajudar é criar um ritual especial para os pequenos.


Escrever uma carta ou fazer um desenho, depois colocar o material dentro de um balão com gás hélio e deixar que voe até o céu pode ser um ritual.


Plantar uma árvore ou escolher uma para que seja uma ligação entre a criança e a pessoa que se foi também pode ser um ritual. Nesse caso, não necessariamente um ritual de despedida. Na história da Cinderela dos Irmãos Grimm, por exemplo, uma árvore surge e é lá que Cinderela vai buscar o amparo e a força da mãe que morreu para enfrentar as dificuldades.


A morte não é fácil, mas faz parte da vida e por isso precisa ser vivida. Sempre com amor e muito cuidado, isso vale para crianças e adultos também.

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